Escolher um supervisor é uma das decisões mais importantes da carreira de um psicanalista. E, curiosamente, uma das menos pensadas. Muita gente escolhe por indicação de colega, por proximidade ou por preço — e só depois percebe que a supervisão não está fazendo diferença.
O que a supervisão precisa entregar
Já falamos sobre o que é supervisão clínica e por que todo analista precisa. Aqui, a pergunta é outra: como saber se aquele supervisor serve para você?
Uma boa supervisão faz três coisas: amplia a escuta do caso, revela pontos cegos e fortalece a sua posição de analista.
Cinco critérios para escolher
1. Prática clínica real. O supervisor precisa atender. Teoria sem clínica viva vira aula, não supervisão.
2. Escuta, não receita. Desconfie de quem diz exatamente o que falar na próxima sessão. Supervisão não é manual de instruções.
3. Respeito ao seu estilo. O objetivo não é você virar uma cópia do supervisor, e sim encontrar o seu jeito de sustentar a clínica.
4. Segurança para errar. Se você esconde casos difíceis por vergonha, a supervisão perdeu a função.
5. Olhar para a carreira. Clínica também é enquadre, agenda, honorários e posicionamento. Um bom supervisor não ignora isso.
Sinais de que não está funcionando
- Você sai das sessões sem nenhum novo ângulo sobre o caso.
- Sente-se avaliado, não acompanhado.
- Só leva casos "bonitos".
Como eu conduzo a supervisão
Na minha prática, a tradição é a base e o caso é o centro. Escutamos juntos o paciente, mas também o lugar que você ocupa diante dele. É esse duplo olhar que permite crescer — como clínico e como profissional.
Se você está no começo, vale ler também psicanalista iniciante: como conduzir seus primeiros atendimentos.