É uma das primeiras perguntas de quem começa — e é uma pergunta legítima. Terapia custa dinheiro, tempo e esforço emocional. Ninguém contrata um serviço sem saber a duração.

A resposta honesta tem duas partes.

Os números que existem

Pesquisas indicam que cerca de 15 a 20 sessões foram necessárias para melhora significativa em metade dos pacientes. Existem protocolos de média duração (12 a 16 sessões) com resultados demonstrados para questões específicas. E há evidência de que quadros mais complexos ou de longa data pedem 12 a 18 meses.

Traduzindo: questões pontuais e recentes tendem a levar menos tempo. Questões que se formaram cedo e se repetem há décadas levam mais.

O que o número esconde

Aqui está o dado que deveria assustar mais gente: apenas 5% dos brasileiros fazem terapia continuamente, e a maioria de quem consultou no último ano não passou de cinco sessões.

Cinco sessões. Se a média para melhora é 15 a 20, isso significa que a maior parte das pessoas para exatamente no ponto em que o trabalho ia começar.

E não é falta de dinheiro, na maioria das vezes. É outra coisa.

Por que se para no começo

Nas primeiras sessões, você desabafa. É bom. Alivia. E aí, por volta da quarta ou quinta, o processo faz a curva: para de ser desabafo e começa a tocar no que dói de verdade.

É exatamente aí que a maioria descobre que "não tem tempo", que "melhorou", que "vai dar um tempo". Não é coincidência. É o momento em que o trabalho ficou real.

Na minha prática, chamo isso de ganho secundário: a forma que te fere também te protege de algo. E uma parte de você não quer largar essa proteção. Parar a terapia bem na hora que ela ia funcionar é essa proteção em ação.

Então quanto tempo dura?

O tempo que você aguentar não fugir.

Um analista sério não te dá um número exato, porque seria mentira. Mas pode te dizer o que esperar de cada fase, e te ajudar a atravessar o ponto em que quase todo mundo sai.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional.