"Quanto eu devo cobrar?" é a pergunta que mais ouço de psicanalistas em início de carreira. E quase sempre ela vem acompanhada de culpa: medo de cobrar caro, de afastar pacientes, de parecer interessado em dinheiro.
Preço não é valor
Preço é o número. Valor é o que o paciente percebe que recebe. Quem não sabe comunicar o valor do próprio trabalho acaba competindo por preço — e nessa disputa ninguém sustenta uma clínica.
Os erros mais comuns
Cobrar pelo vizinho. Copiar o valor de colegas sem considerar a sua realidade.
Cobrar pela insegurança. Baixar o valor porque ainda não se sente "pronto".
Não fazer conta. Não saber quantas sessões precisa para pagar custos, análise pessoal, supervisão e ainda viver.
Como pensar o seu valor
- Comece pela conta: quanto você precisa por mês e quantas sessões consegue sustentar com qualidade.
- Considere o seu posicionamento: para quem você trabalha e como apresenta o seu trabalho.
- Defina uma política clara: faltas, reajustes, formas de pagamento.
O dinheiro também é clínico
Na psicanálise, o pagamento faz parte do enquadre. Um analista desconfortável com o próprio honorário transmite isso ao paciente. Falamos disso em manejo de faltas e do enquadre.
Valor se constrói
Ninguém sobe o valor da sessão só por decisão. Ele acompanha formação, prática, autoridade e presença. Por isso, na mentoria Carreira, Renda & Liberdade, o Plano de Receita é construído junto com o posicionamento — e não isolado dele.
Não existe valor "certo" universal. Existe o valor que sustenta a sua clínica e o seu trabalho com dignidade.